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Região do Minhocão atrai investimentos imobiliários apesar de futuro incerto Região do Minhocão atra

“A gestão defende que a melhor forma de aprofundar os estudos técnicos e de qualificar o debate com a população diretamente afetada, e também de toda a cidade, para ao fim definir a melhor solução para o Minhocão, é através da continuidade do PIU”, informou a assessoria, lembrando que o projeto de oito acessos verticais de pedestres ao Elevado já foi licitado em outubro de 2020 e deve ser concluído no primeiro semestre de 2021. A implantação de gradis de segurança e portões de controle de acesso também foi iniciada no ano passado e está em fase final de execução, de acordo com a Secretaria.

Independentemente do desfecho, o mercado imobiliário em torno do Elevado já está aquecido. De acordo com dados levantados pela Apto, a busca por imóveis próximos ao Minhocão cresceu 53% nos últimos 6 meses, com destaque para o bairro de Santa Cecília, que teve aumento de 162%. headtopics.com

Uma das incorporadoras que apostam há algum tempo na valorização da região é a MAC, responsável por quatro empreendimentos “made in Minhocão”. O primeiro, lançado em 2007, foi o Varanda Expressions, prédio tombado em frente ao viaduto que teve 100% das unidades vendidas de pronto. Em outubro de 2014, quando se começava a falar em Parque Minhocão, veio o Cosmopolitan Higienópolis, seguido pelo Cosmopolitan Santa Cecília, em abril de 2015. O último foi o coliving IS Consolação, lançado em agosto de 2020, que já teve 92% das unidades vendidas.

Perto daUniversidade Presbiteriana Mackenzie, da Faculdade de Medicina da Santa Casa e da estação Higienópolis-Mackenzie do metrô, o empreendimento vai ocupar o número 423 da rua Major Sertório. Além dos estúdios e apartamentos de 1 ou 2 dormitórios, o IS Consolação terá terraço com churrasqueira, bar e lounge com hidromassagem, coworking, sala de reuniões, espaço para animais de estimação, sala de ginástica, espaço delivery e bicicletário.

Outra a apostar no entorno é a imobiliária Refúgios Urbanos, que tem forte foco arquitetônico. “A arquitetura dos prédios em volta do Minhocão, fruto da verticalização que começou nos anos 50, fez com que o local entrasse novamente na jogada e o mercado imobiliário voltasse a investir ali”, diz Octavio Pontedura, sócio da empresa.

O perfil dos compradores é bem específico. “São pessoas que têm um limite de recursos para investir e escolhem o lugar porque conseguem comprar um imóvel com mais área”, explica. Segundo Pontedura, o destino do Minhocão não costuma interferir na escolha. “Se vai virar parque ou não, demolir ou não, são questões que ainda não contam como fator decisivo, porque estamos longe de uma definição”, acredita. O engenheiro conta que o assunto sempre surge, mas que se entende ser uma discussão de longo prazo, politicamente delicada e urbanisticamente complexa. “Acredito que, independentemente da decisão, a região vai se valorizar e o entorno vai mudar.” headtopics.com

Dúvida O mercado tem seu ritmo, mas a gentrificação – termo que define o fenômeno de valorização de uma região, alterando as dinâmicas e composição do local e afetando a população de baixa renda que lá vive – é uma das principais preocupações dos especialistas. “Essa lei, considerada inconstitucional em junho de 2019, contraria as diretrizes do Plano Diretor Municipal”, diz a arquiteta e urbanista Simone Gatti, representante do Instituto de Arquitetos do Brasil em São Paulo (IABSP) no Conselho Municipal de Política Urbana e na Comissão Executiva da Operação Urbana Centro.

As diretrizes propõem três alternativas para o Minhocão: a transformação parcial em parque, a transformação total em parque ou a demolição. “A possibilidade de demolição foi completamente ignorada pela lei e a definição de que o Minhocão seria transformado em parque não é respaldada por estudos técnicos que apontem a melhor solução para a cidade, tampouco por um processo participativo realizado sobre o debate dessas evidências”, diz a especialista.

Ela afirma não ser contra o Parque Minhocão, até porque o viaduto já foi incorporado pela população como espaço público de lazer. “Mas é preciso entender se ele é a melhor opção para a cidade e, se for, que seja implementado de forma tecnicamente responsável, inclusiva e democrática”, conclui.


14/02/2021